
Como preparar sua transição de carreira para tecnologia?
O que devo considerar se quero iniciar uma transição de carreira focada na área técnica e quais são as principais considerações.
Nos últimos anos, há um número crescente de pessoas interessadas em mudar sua área de desenvolvimento profissional, especialmente para a tecnologia, considerando o déficit existente (sim, apesar das demissões das Big Techs - Google, Amazon, Facebook, Spotify, etc.), a demanda por profissionais de tecnologia não diminuiu. A grande diferença é que, se você começar a procurar emprego agora, haverá um foco muito maior na eficiência (ou seja, buscarão pessoas que possam demonstrar capacidade de resolver problemas, que possuam pensamento crítico, compreendam completamente a problemática e ofereçam uma solução viável), uma vez que a ideia é garantir que o investimento feito nas novas contratações gere um retorno no menor tempo possível.
E isso não é novidade; para citar alguns exemplos, já em 2016, falava-se na Argentina de um déficit de aproximadamente 5.000 vagas por ano na área de software. Em 2020, na Colômbia, falava-se em um déficit de 75.000 profissionais de TIC, com apenas cerca de 5.000 graduados por ano. Já na Espanha, em junho de 2022, afirmava-se que existia um déficit inatingível, com apenas cerca de 8.000 graduados anualmente e mais de 14.000 empresas com processos seletivos abertos.
Dito isso, por que seria interessante pensar em uma transição de carreira neste momento e o que isso implica? A resposta básica e simples é que as habilidades e conhecimentos técnicos fundamentais podem ser aprendidos (aproximadamente) em um período de 6 a 18 meses, pois é possível focar em obter um nível técnico sem precisar cursar uma graduação completa em engenharia.
Aqui certamente pode haver um grande debate sobre por que muitos de nós estudamos engenharia por 4 a 5 anos e, de repente, alguém conseguiria fazer o mesmo que nós em apenas 1 ano? Não é exatamente a mesma coisa; é como dizer que você pode aprender a dirigir um carro em 2 semanas, em comparação com um motorista profissional que acumulou mais de 6.000 horas de experiência antes de obter sua licença para dirigir ônibus ou realizar viagens comerciais.
Sim, as bases são as mesmas e talvez o motorista “esportista” com o tempo adquira conhecimento e experiência suficientes para dirigir um ônibus, mas eles seguiram caminhos diferentes e seus resultados serão distintos (pelo menos no início).
Com essa ideia, vale a pena então migrar para a tecnologia, apesar de possivelmente ter uma carreira muito diferente (conheci pessoas que vieram da logística e comércio exterior, medicina, jornalismo, finanças, docência e até direito) e que agora trabalham na área de tecnologia. Às vezes, são motivadas pelo fator econômico, mas majoritariamente pela ideia de descobrir um campo que está sempre em movimento e que abrange áreas desde a gestão de projetos de TI, passando pela programação, análise numérica de dados, design de interfaces ou análises de qualidade. E isso é apenas para citar algumas das muitas possibilidades e variantes (uma razão pela qual nem sempre é necessário fazer uma graduação longa se você vai focar em apenas uma vertente e se especializar, enquanto nas engenharias o foco costuma ser mais na generalização).
Voltando ao tema principal, qual deveria ser então o caminho a seguir para dar esse salto?
- Estabelecer um objetivo: Em quanto tempo quero alcançar isso? Qual a minha disponibilidade de tempo? Posso me dedicar a estudar em tempo integral? Apenas algumas horas por dia? Por semana?
- Identificar o caminho que desejo seguir: Talvez esta seja a parte mais difícil. Dentre toda a oferta existente, no que focar: Análise de Dados, Desenvolvimento
Front End,Back End, Garantia de Qualidade (QA), Gestão de Projetos, Trabalhar com dispositivos móveis, com aplicações web, etc… O ponto de partida, creio eu, é escolher meu método de aprendizado e tentar conhecer pessoas que já atuam na área para ter uma ideia do tipo de atividades que realizam e entender se é algo que eu gostaria de fazer. Um bom recurso (em inglês) é a descrição doFreeCode Campsobre os Career Paths (Caminhos de desenvolvimento profissional) - Escolher um método (ou um provedor): Ao falar do método, poderia ser como autodidata, com um guia ou mentor, com um curso de alguma plataforma de aprendizado ou diretamente com uma escola. Para isso, também há variantes de oferta, algumas como Platzi (em espanhol e a nível latino-americano), Practicum, Holberton, Coder House, Le Wagon (Funciona online, mas também oferece cursos presenciais em diferentes partes do mundo.). Algumas dessas escolas inclusive contam com sua própria bolsa de trabalho.
- Manter a calma e pensar que é um processo individual. Há quem consiga fazer a mudança e ser produtivo em 6 meses, outros talvez precisem de até 2 anos. Não é uma competição, é o poder de descobrir o que melhor se adapta ao seu próprio caminho e manter o foco em aonde você quer chegar.
Um ponto adicional ao qual quero dar atenção especial é que não existe limitação por idade, que é o maior medo de muitas pessoas. Fazer uma transição de carreira depois dos 30, 40, 50 anos ou mais, recomeçar, sempre será algo que nos gerará medo; está na nossa natureza como humanos. Mas, na verdade, o efeito muito mais “prejudicial” é o de ficarmos com a dúvida ou nos questionarmos se teríamos nos saído bem, se teríamos conseguido e prosperado.
Mas, para não ouvir isso sair da minha boca (ou melhor, das minhas letras), aqui estão alguns depoimentos de pessoas que migraram para a tecnologia depois dos 35/40 anos:
- How I got my first developer job at age 40 after 10 months of hard work
- Becoming a Software Developer at 35
- How to Pivot into Tech with Any Background
Recursos Adicionais
Alguns sites que oferecem formação gratuita, cursos ou material de referência para você iniciar seu processo: