Emigrar como trabalhador remoto (nômade digital) em 2023

Emigrar como trabalhador remoto (nômade digital) em 2023

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Migrar para outro país sem a necessidade de ser patrocinado por uma empresa agora é possível se você tem um trabalho remoto. Aqui estão algumas das opções e as coisas básicas que você precisa saber.

Ao escrever este artigo, estamos passando pelo que foi definido no Fórum Econômico Mundial em Davos como uma “policrise”, ou seja, múltiplas crises acontecendo ao mesmo tempo, o que não apresenta um cenário muito animador em geral. Historicamente, isso sempre foi mais forte para a LATAM (América Latina). Algumas das coisas que se misturam:

  • Inflação global
  • Mudanças Climáticas
  • Aumento de crimes e cibercrimes
  • Efeitos Pós-Pandemia
  • Conflito Ucrânia/Rússia
  • Crise de suprimentos (Efeito pós-crise logística e pandemia)

Em outras palavras, temos uma bomba-relógio da qual nenhum lugar escapará de seus efeitos. A diferença é como vivê-la e sob quais condições, o que é uma vantagem que nós, trabalhadores remotos, podemos aproveitar graças a algumas das opções atuais.

A ideia inicial de poder ser um trabalhador remoto era a de não ter que sair do seu país, nem se afastar da sua família, para ter um trabalho em alguma empresa e/ou indústria onde a) você fosse valorizado como profissional e b) isso lhe permitisse ter um melhor nível de vida. Mas, neste caso, acredito que o paradigma muda e também se torna uma opção para se mudar para um lugar onde as condições de vida possam ser melhores para mim e para minha família.

O que mudou?

Com a chegada dos nômades digitais, alguns países começaram a abrir suas portas para recebê-los e, assim, atrair investimentos para o país. A ideia é que o dinheiro que eles recebem vem de outro país, não requer investimento adicional para o país e é injetado diretamente na economia local.

Isso já existia antes da pandemia, mas aumentou após ela e fez com que outros países considerassem aplicar a mesma lógica e dar a oportunidade de se tornarem residentes permanentes nesses países.

O que é necessário?

Os requisitos para solicitar um visto desse estilo vão diferir dependendo do país, mas com base no que conheço e generalizando um pouco, podem ser resumidos da seguinte forma:

  • Comprovação de ter um contrato com uma empresa não localizada dentro do país ao qual se vai aplicar (recomendo que tenha pelo menos 6 meses de antiguidade)
  • Registro criminal do país onde você está vivendo atualmente ou onde viveu pelo menos no último ano (isso vai variar dependendo do seu país de origem). No caso do Equador, isso é obtido pela internet e só precisa ser apostilado no governo zonal.
  • Demonstrar que você tem poupanças suficientes para subsistir por um tempo (assumindo que você perdesse o emprego de forma inesperada). Em casos como o de Portugal, pedem para ter pelo menos o equivalente a 1 ano do salário mínimo vital (760 euros por mês * 12 meses).
  • Seguro de saúde para o período inicial em que você estará no território. Muitos desses países depois dão a opção de acessar o sistema de saúde público, mas, inicialmente, um dos requisitos é que esse seguro esteja ativo, e, em geral, é melhor, inclusive, para a nossa própria tranquilidade.
  • Demonstrar que você paga impostos no local de residência atual (isso inclusive garante que você seja isento de pagar impostos no novo país, pelo menos de forma inicial). No caso do Equador, isso se traduz em mostrar pelo menos a última declaração do imposto de renda (que deve coincidir com o valor que está no contrato).
  • Extrato de conta bancária de pelo menos os últimos 3 meses (também para confirmar que você realmente está recebendo seu salário de forma constante).
  • Comprovante de residência. Este requisito pode mudar, mas se refere a ter um lugar para onde você vai. Se no país para onde você quer ir já tem algum amigo ou familiar, pode-se usar uma carta-convite dizendo que ele/ela vai te receber. Caso contrário, é necessário um contrato de aluguel ou, pelo menos, uma “promessa de aluguel” (onde alguém do país assina dizendo que, quando você chegar, se compromete a alugar um espaço para você).

De forma geral, isso resume as coisas mais importantes. Haverá algumas coisas extras dependendo do país, mas é o primeiro a ser verificado. Algo a saber é que esses vistos também permitem incluir a família, ou seja, posso fazer uma solicitação com meu trabalho remoto, mas estender o visto para meu cônjuge, filhos, pais e, em alguns casos, até irmãos, mas isso dependerá do país, idades, etc…

Para onde olhar?

Alguns dos países mais interessantes (na minha perspectiva) para emigrar mantendo um trabalho remoto e que permitem, eventualmente, converter a residência de nômade digital em residência permanente ou cidadania:

  • Portugal
  • Espanha
  • Estônia
  • Colômbia
  • México
  • Indonésia
  • Malta

Os principais elementos que considero nesta lista são custo e qualidade de vida (o que inclui segurança), facilidade de acesso, impostos a pagar e a opção de poder convertê-lo em residência permanente. Para esta lista, escolhi apenas os países onde 1. existe a opção e 2. é possível viver dentro da faixa de 700 a 1.600 por mês (de forma muito geral).

Existem muitas mais opções e, certamente, mais países se juntarão para oferecer essas alternativas, mas aí já ficará como opção pessoal escolher as alternativas e o que for mais conveniente.

Um excelente recurso é o site visadb.io, onde é possível encontrar especialistas em diferentes países, sejam advogados, especialistas em impostos, migração, etc., para conseguir ajuda no processo de migração. E também, entrando na seção de vistos e escolhendo seu país de origem, você pode ver quais vistos oferecem a opção de convertê-los finalmente em cidadania (para poder viver de forma permanente lá).

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